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Dono do Mundo…

Sabe quando você ouve muito, muito vezes muito uma música? Pois bem, há um tempo uma música chamada “Dono do Mundo”, da banda Casco, vinha mexendo muito comigo! Daí que se tornou inevitável fazer algo com isso e, então, através de palavras e imagem surgiu quem seria o meu dono do mundo…

Dono do mundo

Dono do Mundo

Já ouvi dizer que o mundo é redondo. Seja lá o que for, acredito que ele tem portas. Portas que não se abrem, emperram e deixam passar apenas um pouco de luz frente aos olhos daqueles que não conseguem ser vistos.
Mundo, não-lugar escroto que às vezes cheira a perfume enquanto exalam-se carniças. Clichê demais!
Também já ouvi dizer que o mundo tem um  dono de  rosto estendido em uma vala, na beira de uma rua de nome esquisito.
A questão é que o dono do mundo não encontrou espaço em um onde que deveria ser seu. Foi escorraçado , cuspido, só não expulso porque são tantas voltas que o mundo dá, que os homens que perseguiam o tal dono em muitas tardes e noites se perdiam, desistindo,momentaneamente, de capturá-lo.
O dono do mundo vaga por mim, entre tu, sob nós, por um você. Poucos ousam cruzar-lhe os olhares, um pouco de nada já lhe é muito.
O dono do mundo, conhecedor de quase tudo, constrange, fere.Estampa na cara de quem o persegue ou foge de si, desviando o caminho, o calafrio de sentir na pele o peso de suas próprias injúrias.

Imagem e texto: FiLdinha

Agradecimento: Ao querido ” Tio Gian Brasil inteiro” pelas aulas de photoshop 🙂

É isso! A história que tenho pra contar é essa e quem quiser… Que conte outra!

Ah!!!! E claro, logo abaixo um vídeo da galera da Casco com a música que tanto me inspirou. Pra conferir o trabalho dos caras dêem uma olhada nesse link aqui https://www.facebook.com/cascobr/?fref=ts

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Por um mundo Madiba!

Mandela 2

 

Diante de tantas dolorosas notícias de tantos “mundos” por aí afora e por aqui adentro veio a lembrança dessa foto que estou postando… Pouco me interessam as representações, muitas vezes elas me soam como coisas estáticas e que pretendem traduzir uma verdade. Mas, ao me deparar com essa imagem foi inevitável querer registrá-la. Mandela (carinhosamente conhecido como Madiba) e seus ensinamentos me fazem refletir por demais…

“ Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar. ” (Nelson Mandela)

Durante as minhas andanças pela África do Sul, uma música muito me acompanhou , a Soweto Blues. Composição de letra densa que traduz a história de muitos e muitas até hoje.

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Sereia

Sereia

 

Tem uma música que eu gosto muito vezes muito ao cubo e que se chama “Sereia”. Ela é cantada por uma artista extremamente talentosa, SandyAlê.

Acontece que de tanto escutar essa música, comecei a me perguntar sobre quem seria a “minha” sereia e quais afetos lhe atravessariam.

Sereia

Jogaram ela no mar e depois lhe disseram que aquela imensidão de água transbordando em sal era dela…Vá entender!
A beleza não era o que lhe movia. Queria ir em busca do pouco. Do pouco de vida que havia no olhar insosso de cada pessoa que entre nado, borbulhas, falta de ar e espanto cruzava o seu salino caminho.
Ela só queria o pouco para que preenchesse seus dias, perdidos pelo que queriam que ela um dia fosse mas que jamais lhe perguntaram se era aquilo que inspirava ser.
Assim se fez ecoar o canto da sereia. Um canto punhal, um canto ferida.
Um berro que simplesmente suspira por um pouco de vida.

Texto e imagem: Fildinha

Ah e para quem não conhece a música… Logo abaixo!

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Um pouco de Fildinha, um pouco de Ricardo Vieira…

Há alguns anos atrás, quando escrevi o texto “Flora Giramun”, mal eu sabia que encontraria em meus (des)caminhos alguém com a tamanha sensibilidade de transformar palavras tão simples em algo tão belo… Sentir Flora pela música de Ricardo Vieira, para mim, não tem descrição. Viva Ricardo Vieira!

Depois ou durante, quem sabe, escutarem tanta lindeza, caso queiram dar uma conferida no texto, ele está logo abaixo!

Flora Giramun

Flora Giramun era uma mulher como poucas e, ao mesmo tempo, como muitas. Carregava em seu peito amores e em seus pés, histórias mil por contar. Cada lugar por onde passava lhe fazia acreditar que tinha muito… Muito do que conhecer, sentir, permitir-se experienciar por esse mundo afora, adentro e por aí vai.

Quanto mais viajava, mais vontade sentia de se deixar levar pelas cores, cheiros, expressões, feições, desencantos que lhe atravessavam. Flora Giramun era Chile, índia, Paris, Penedo, Alagoas, Japão, Uruguai, Lisboa, Brejo Grande, Rio de Janeiro, México. Era preta, branca, norte, sul, madame, do campo e da roça, era tantas e tantos num corpo só.

Meu encontro com essa mulher foi rápido, corriqueiro, daqueles que parecem que se dão em um piscar de olhos. Piscou, já foi, passou. Foi uma troca de meias palavras porém, que diziam por demais, os meus olhos até piscaram mas as imagens que ela me descreveu não se perderam de vista.

Giramun estava no México. Em sua bagagem poucas roupas, um livro, um caderno de anotações, uma pequena bolsa com um espelho, um pente e um batom para que, vez em quando, pudesse retocar a cor de seus lábios e penteado. Ela era de uma beleza de muitos detalhes, maquiagens e adereços em excesso tornavam-se desnecessários para destacar o que era facilmente belo. Enquanto segurava sua mala, esperava atentamente o ônibus que a levaria para Vera Cruz, golfo do México. Viagem longa, o que não a preocupava, gostava dos percursos, das paisagens que no decorrer das estradas se transformavam, de cruzar olhares com seus companheiros de trajeto. Estes, pessoas que, provavelmente, nunca teria visto mas que, durante algumas horas, poderia imaginar, inventar histórias de suas famílias ou ausências das mesmas, de seus empregos, desejos, sonhos e desilusões. Ela se interessava pelas pequenas coisas, pelo simples, pelo que, geralmente, muitos deixavam de lado, não davam grande importância.

Ao entrar no ônibus, já a noite, a iluminação fraca dava àquele espaço de poltronas fedendo a mofo e poeira um ar de penumbra. Podia-se apenas enxergar os contornos dos rostos ali sentados o que despertava ainda mais a curiosidade de Flora que poderia criar, inclusive, as minúcias das feições de cada um por quem passava. Sua poltrona tinha o número 28 e ficava na janela. Dali, enquanto ficava atenta ao que se passava do lado de fora, prestava atenção a cada som, ruído, movimento que vinha de dentro de onde estava. Do seu lado esquerdo, tinham duas moças as quais imaginou com pele bem bronzeada, uma com uma grande cicatriz próxima da boca e a outra com olhos amendoados bem arredondados. A primeira acariciava tanto sua própria bochecha enquanto a segunda parecia se aproximar para verificar o que ali havia que lhe fazia muito sentido o que imaginava. À sua frente visualizou entre tantas pessoas um senhor cansado, cabisbaixo, à espera da próxima parada onde enfim estaria sua casa que não via desde que tinha ido trabalhar no Arizona, há uns quatro anos.

Quando já com a cabeça recostada em seu assento, prestes a tirar um cochilo, deixando um pouco de lado criações a respeito de seus companheiros, ela escuta um violão suave, ao mesmo passo com a imponência da cadência rítmica mexicana. Aquele som lhe chamava, trazia-lhe uma quietude que ao pensar em seus 73 anos, sentia a juventude viva em si. Os traços do tempo mais do que peso e rugas, traziam caminhos, encontros, percursos do que já se foi, do que se está sendo e do que se está por vir. De olhos fechados, ela viu um homem com seu instrumento, ele tocava com o pensamento distante e as mãos firmes de quem a vida ensina a cultivar uma atenção sempre distraída. Ela não sabia de onde ele vinha, nem para onde ia, não sabia seu nome, semblante, cor de pele, cabelo, idade e preferia que assim fosse. O som emitido pelo violão já lhe bastava, poupavam-se demais descrições, o importante é que estava ali. Flora Giramun então, agradeceu em pensamentos ao desconhecido que por seu desconhecimento a encantava e, simplesmente, adormeceu.

Com carinho, dedico este texto à Osa, mulher de muitos encantos.

Texto e Imagem: Fildinha

Composição: Ricardo Vieira